Ministro do Exterior anuncia decisão horas depois de David Davis, negociador-chefe do Brexit, também renunciar. Baixas evidenciam fortes divisões no governo da primeira-ministra Theresa May.

Apenas um dia após o negociador-chefe britânico do Brexit, David Davis, ter apresentado sua renúncia, o governo da primeira-ministra Theresa May anunciou nesta segunda-feira (09/07) que o ministro do Exterior, Boris Johnson, deixou o cargo em meio a fortes divisões no governo sobre o Brexit. Fontes do governo afirmaram que May aceitou a renúncia e vai anunciar um substituto em breve.

Um dos líderes da campanha pela saída do Reino Unido da União Europeia (UE), Johnson estava sob pressão após a renúncia de Davis. O negociador-chefe justificou sua decisão de deixar o governo dizendo que não poderia apoiar os planos da premiê de manter relações comerciais e legais estreitas com o bloco após o Brexit, que deverá se concretizar em 29 de março de 2019.

Na tarde desta segunda-feira (horário local), Johnson não compareceu a uma cúpula dos Bálcãs Ocidentais em Londres, que ele deveria presidir, alimentando as especulações de sua renúncia devido a diferenças com May no âmbito do Brexit.

A primeira-ministra defende uma saída suave da UE, enquanto Johnson, Davis e outros membros do governo são a favor um rompimento forte com o bloco. Davis foi substituído pelo ministro da Habitação, Dominic Raab, que defende o Brexit com veemência.

Davis e Johnson abandonaram o governo poucos dias depois da aprovação de uma nova estratégia, para o divórcio do Reino Unido com a UE. Na última sexta-feira, May anunciou que o governo entrou em acordo sobre um plano para um Brexit mais suave, esperando um pacto com a UE até outubro deste ano. Mas o acordo, que May esperava que desbloqueasse as negociações com Bruxelas só surgiu após forte pressão.

Segundo relatos da imprensa, durante a reunião para estabelecer a nova estratégia, Johnson teria criticado duramente os planos de May para o Brexit, mas desde então não fez declarações oficiais.

Davis, por sua vez, disse temer que os novos planos fossem atar demais o Reino Unido à UE, enfraquecendo a posição do país em relação ao bloco. Além disso, segundo ele, um Brexit suave traz o risco de novas concessões à UE durante as negociações.

Após as baixas, o porta-voz oficial de May, James Slack, afirmou que “precisamos ir em frente nas negociações, mantendo o ritmo, e é isso que vamos fazer”.

“O que importa para nós é o quadro de negociações estabelecido pelos nossos 27 países-membros”, disse Margaritis Schinas, porta-voz da Comissão Europeia, após a renúncia de Davis.

O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, voltou a reiterar sua postura anti-Brexit num tuíte após a renúncia de Johnson. Ecoando um comentário feito a repórteres após a saída de Davis, Tusk escreveu na plataforma online: “Políticos vão e vêm, mas os problemas que criaram para o povo continuam. Só posso lamentar que a ideia do Brexit não foi embora com Davis e Johnson. Mas… quem sabe?”

Além de Tusk, May conversou neste fim de semana com o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, presidente do Conselho Europeu, e com os líderes políticos da Irlanda, da Suécia e de Malta. Ela deve encontrar o chanceler federal austríaco, Sebastian Kurz, nesta segunda-feira.

*com informações: DW

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